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Salão de Gênova esgota espaço, ganha cais de megaiates e abre uma arena gratuita para atrair novos públicos

Apresentado nesta segunda em Milão, o 66º Salone Nautico Internazionale chega a 1º de outubro com mais de mil barcos, 215 novidades, 45 países, layout na água no limite e a estreia do Living Made in Italy, área dedicada aos superiates de 35 a 50 metros. Compradores estrangeiros dobram de 70 para 180.

Salão de Gênova esgota espaço, ganha cais de megaiates e abre uma arena gratuita para atrair novos públicos
Foto: Foto: Salone Nautico Internazionale / Confindustria Nautica

Um salão que não cabe mais em si mesmo

A conferência de imprensa que apresentou nesta segunda-feira, em Milão, a 66ª edição do Salone Nautico Internazionale de Gênova deixou uma mensagem clara para quem acompanha a indústria: o salão lotou. A área expositiva desta edição foi tomada por completo, e os números divulgados pela Confindustria Nautica, a entidade que organiza o evento, mostram uma feira operando no limite físico do Waterfront di Levante, de 1º a 6 de outubro.

São mais de mil embarcações expostas, 215 novidades de mercado e 45 países representados de cinco continentes. O layout na água cresceu 4% em relação a 2025, e a dársena Yacht & Superyacht ampliou sua ocupação. O dado mais revelador, porém, é o tamanho: a dimensão média das três maiores unidades de cada segmento subiu 14,1% em um ano, e o número de multicascos expostos aumentou 28%.

"O salão está esgotado", resumiu Formenti ao apresentar a edição, e emendou o dado que explica a fila de estaleiros: dos 8,6 bilhões de euros faturados pela indústria náutica italiana, 4,4 bilhões vieram da exportação, um novo recorde. Gênova, na prática, é o balcão de vendas de um setor que vende ao mundo mais da metade do que produz.

Não por acaso, o presidente da Autoridade Portuária de Gênova, Matteo Paroli, aproveitou a coletiva para anunciar que o novo plano regulador do porto já prevê a ampliação das áreas destinadas à náutica, "para dar mais espaço e capacidade a um setor que representa uma das excelências nacionais". Em outras palavras: o salão cresceu mais rápido que o cais.

A coletiva de apresentação do 66º Salone Nautico, na sede da Fondazione Edison, em Milão. Foto: Salone Nautico Internazionale / Confindustria Nautica
A coletiva de apresentação do 66º Salone Nautico, na sede da Fondazione Edison, em Milão. Foto: Salone Nautico Internazionale / Confindustria Nautica

O cais dos megaiates: Living Made in Italy

A grande novidade estrutural de 2026 se chama Living Made in Italy, uma nova área no cais H criada com apoio da ICE, a agência italiana de promoção do comércio exterior. O espaço reúne lounges, cenografia e serviços de recepção dedicados aos estaleiros italianos que constroem acima de 24 metros, e conseguiu trazer para Gênova superiates na faixa de 35 a 50 metros.

O peso desse segmento explica o investimento. Segundo Formenti, dos 1.093 superiates em construção no mundo, 568 estão em estaleiros italianos, mais da metade da carteira global de encomendas. "O objetivo é apresentar a nossa indústria como a mais importante e coesa do mundo", disse.

Para a organização, é a prova de que a mudança do salão para outubro, adotada no ano passado, funcionou: a nova data favoreceu a volta dos grandes estaleiros e a presença de barcos maiores, justamente no segmento em que a indústria italiana lidera o mercado mundial.

"Os números desta edição têm um significado que vai além do dado quantitativo, porque o salão é expressão direta do mercado e da indústria que representa. Falamos de uma indústria que chegou a 8,6 bilhões de euros de faturamento, movimenta mais de 13 bilhões de valor agregado e quase 170 mil empregos, com cerca de 90% da produção destinada ao exterior", afirmou o presidente da Confindustria Nautica, Piero Formenti. "A força de um salão organizado pela associação nacional do setor é esta: ouvir as empresas, interpretar suas necessidades e traduzi-las em um projeto que une representação e mercado, visão industrial e projeção internacional."

Blue Arena: a porta de entrada, de graça

Se o cais H é o andar de cima do salão, a Blue Arena é a porta da rua. Instalada dentro do novo Palasport, que pela primeira vez será usado por inteiro, a arena é uma novidade absoluta em 66 edições: um espaço de acesso gratuito, financiado pela Confindustria Nautica e pela ICE, pensado para aproximar da náutica quem nunca subiu em um barco.

O projeto se divide em cinco áreas. Start Boating oferece o primeiro contato com a navegação, com embarcações de até 25 cv e a divulgação da nova habilitação D1, que na Itália pode ser tirada a partir dos 16 anos. StartUp & Inovação, com a ICE, e Formação e Profissões do Mar, com universidades, o Politécnico de Milão e o Blue Skills Village, tratam de ideias, competências e carreiras. Mondo Vela leva a Federação Italiana de Vela, das derivas ao foiling. E as instituições militares do mar, com Marinha, Guarda Costeira e Guardia di Finanza, vão envolver o público com simuladores.

"A Blue Arena representa um investimento importante que quisemos muito, para aproximar novos públicos da náutica, a começar pelos jovens, e mostrar não só o que este setor produz, mas as oportunidades que pode oferecer", disse Formenti. "É um espaço aberto e gratuito, que cria um novo abraço entre o salão, a cidade e o público." A arena vai mostrar barcos acessíveis, na faixa de até 20 mil euros, porque, nas palavras do presidente da Confindustria Nautica, "é essencial envolver os jovens para formar os navegantes do futuro". O ingresso com desconto para menores de 25 anos foi mantido.

Compradores estrangeiros: de 70 para 180

Para uma indústria que exporta nove de cada dez barcos, o salão vale pelo que gera de negócio internacional. Em 2026 a ICE dobra seu investimento no programa de convidados estrangeiros, tanto compradores quanto jornalistas, com presenças de 35 países.

"Este ano passamos de 70 para 180 compradores estrangeiros: não só compradores de superiates, mas importadores, distribuidores e concessionários, interlocutores fundamentais sobretudo para as pequenas e médias empresas", explicou o presidente da ICE, Matteo Zoppas. Somam-se mais de 80 jornalistas internacionais contatados, um projeto dedicado a startups e uma campanha de comunicação para reforçar o posicionamento do salão e do Made in Italy lá fora.

Na cadeia de fornecedores, os TechTrade Days voltam pelo segundo ano, em 1º e 2 de outubro, com mais de 400 marcas de acessórios e componentes em um formato de negócios que coloca frente a frente estaleiros, projetistas, compradores e distribuidores.

FORUM26, selo dos Correios e design

O programa de conferências FORUM26, com patrocínio da Comissão Europeia, começa antes do salão: em 30 de setembro é apresentado o La Nautica in Cifre, o estudo anual de mercado do setor italiano. No dia 1º, a conferência inaugural discute a relação entre indústria, inovação e decisores públicos, e termina com um gesto simbólico: na presença do ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso, será lançado um selo postal da série "Excelências do sistema produtivo italiano" dedicado ao Salone Nautico.

Nos dias seguintes, o FORUM26 passa por antilavagem de dinheiro, fisco e alfândega, sustentabilidade, inteligência artificial e cibersegurança, turismo náutico e economia do mar, incluindo o 5º World Yachting Sustainability Forum e um encontro sobre o impacto econômico do iatismo com participação da Deloitte.

O Design Innovation Award chega à sétima edição com o arquiteto Paolo Brescia, cofundador do escritório OBR, presidindo o júri internacional. Os vencedores serão anunciados em 2 de outubro, no terraço do Padiglione Blu, e um livro vai reunir os projetos premiados nas seis primeiras edições. "Quando falamos de design náutico não falamos só de barcos, mas da relação deles com as pessoas, com o ambiente que os recebe e com o mar", disse Brescia.

O que muda para quem olha de fora

A leitura que fica da coletiva de Milão é a de um salão que deixou de ser apenas vitrine de produto e se organiza como plataforma de um sistema industrial: cais para os grandes, arena para os iniciantes, feira de fornecedores para a cadeia, programa de compradores para a exportação e fórum para as políticas públicas. Raffaello Napoleone, presidente da associação italiana de feiras internacionais, resumiu: "Gênova para a náutica, Florença e Milão para a moda. É por meio dessas plataformas que um sistema industrial inteiro reforça seu posicionamento nos mercados internacionais."

A cidade também entra no jogo. A prefeita Silvia Salis anunciou um Fuori Salone, com eventos fora do recinto, e a criação da Escola das Profissões do Mar e da Blue Economy. E o governador da Ligúria, Marco Bucci, lembrou que o Waterfront di Levante vai ganhar em breve um hotel e a Fabbrica delle Idee, dedicada a pequenas empresas e startups da economia do mar.

Entre os parceiros da edição estão Alfa Romeo, Eberhard & Co., BPER Banca, Slam, Trussardi, que chega com uma coleção cápsula e assina os espaços da VIP Lounge, e a Leonardo, que vai expor um helicóptero AW109 no salão.

Serviço

66º Salone Nautico Internazionale
1º a 6 de outubro de 2026
Waterfront di Levante, Gênova, Itália
Blue Arena no Palasport, com entrada gratuita; TechTrade Days em 1º e 2 de outubro
Informações e ingressos: salonenautico.com

Por: Redação Mundo Mar

Foto: Foto: Salone Nautico Internazionale / Confindustria Nautica

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