A maior velejadora do Brasil troca de barco
O SailGP, o circuito mundial de catamarãs voadores F50, chega ao Lago de Genebra, na Suíça, neste fim de semana, 19 e 20 de setembro, com uma reviravolta que mexe diretamente com o Brasil. Martine Grael, bicampeã olímpica e uma das maiores velejadoras da história do país, deixou o Mubadala Brasil SailGP Team e vai assumir o leme do U.S. SailGP Team, o time dos Estados Unidos, na 11ª das 13 etapas da temporada 2026.
A troca aconteceu de forma inesperada. Grael teve uma saída-surpresa do time brasileiro no início da semana, e logo foi chamada pelos americanos para substituir o piloto Taylor Canfield, cortado depois de fraturar a clavícula em um acidente de bicicleta. Os Estados Unidos chegam a Genebra em terceiro lugar, dentro da zona de pódio, e querem defender a posição na reta final do campeonato.

Duas mulheres na mesma tripulação, um marco no SailGP
A estreia de Grael pelo time americano cria um momento histórico: pela primeira vez, duas mulheres vão competir lado a lado na mesma equipe do SailGP. Ela assume o leme ao lado da grinder americana Anna Weis.
"A Anna é uma dessas grandes atletas e uma grande amiga também, e é incrível trabalhar juntas", disse Grael. "É uma dessas pessoas que a gente admira pela ética de trabalho e pela força na busca pela excelência. Velejar ao lado dela é inspirador, e vai ser divertido."
Sobre o desafio de entrar em um barco novo em cima da hora, a brasileira ponderou: "Quando você chega a um time novo, precisa entender como eles trabalham. Essa é a parte mais importante. Eles claramente vêm fazendo um trabalho muito bom, e eu quero me adaptar ao jeito de velejar deles e tirar o melhor da equipe." A favor dela, o pouco tempo fora da água: "Faz só uma semana e meia desde a última vez, então ainda estou aquecida das outras etapas."
Mubadala Brasil aposta em uma nova era
Do outro lado, o time brasileiro se reinventa. Com a saída de Grael, o Mubadala Brasil passa a ser comandado por Paul Goodison, que havia chegado à equipe como estrategista. A bordo entra também Kahena Kunze, bicampeã olímpica na classe 49er FX, emprestada pelo ROCKWOOL Denmark, formando o que Goodison classifica como um recomeço.
"Acho que estamos em uma nova era", afirmou Goodison. "Precisamos olhar para a frente e ver como começar a melhorar. Estamos na parte de trás da frota no momento, temos poucos pontos, e precisamos pensar em como somar. O que precisamos mudar? Seguimos confiando no nosso processo, trabalhando, e torcendo para que os resultados venham."
O que está em jogo em Genebra
Genebra é o único palco de água doce do circuito, conhecido pelos ventos instáveis que sopram das encostas e mudam de direção o tempo todo. O suíço Sébastien Schneiter, do Explora Journeys Swiss SailGP Team, aposta no fator casa para buscar a primeira vitória diante da torcida. Cerca de 10 mil pessoas são esperadas nos dois dias de regatas, que começam neste sábado, 19, às 15h30 no horário local.
Faltando três etapas para o fim, apenas a Austrália, dos Bonds Flying Roos do líder Tom Slingsby, está confirmada na Grande Final de Abu Dhabi, em novembro, que vale US$ 2 milhões em prêmio, com o vencedor levando tudo. Todos os outros times, menos dois, ainda têm chances matemáticas de disputar a decisão, o que promete um desfecho de temporada eletrizante. O Brasil corre no Grupo A.
Serviço
SailGP, etapa de Genebra (Suíça)
19 e 20 de setembro de 2026, no Lago de Genebra
11ª das 13 etapas da temporada 2026 do Rolex SailGP Championship
Transmissão ao vivo e informações em SailGP.com/Watch
Por: Redação Mundo Mar
Foto: Foto: SailGP







