Para o público, uma campanha de vela oceânica pode parecer resumida aos dias de regata, às disputas por posições e à chegada. Para uma equipe de alta performance, porém, parte do trabalho acontece longe das raias. É essa etapa que vive atualmente o Inaê Soto40 Transbrasa. O veleiro comandado por Bayard Umbuzeiro Neto está fora das competições desde a 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela, realizada entre julho e agosto, e passa por reparos antes do retorno às regatas.
A pausa ocorreu depois de uma sequência de resultados na temporada. Antes da Semana de Vela, o Inaê conquistou o vice-campeonato da segunda etapa da Copa Mitsubishi e assumiu a liderança geral da classe ORC Performance após as duas primeiras etapas do circuito.
Sem regatas no período, o trabalho está concentrado na preparação da embarcação. Em uma campanha de vela de alto rendimento, casco, apêndices, mastro, velas, equipamentos e sistemas precisam passar por revisões, verificações e ajustes para que funcionem em conjunto quando o barco retorna à água.
Projetado pelo argentino Javier Soto Acebal, o Soto40 tem 12,30 metros de comprimento e deslocamento de aproximadamente 4,3 toneladas, sendo cerca de 2,18 toneladas de lastro. A embarcação combina baixo peso e grande área vélica em um projeto desenvolvido para competição.
Na classe ORC, a preparação técnica também está relacionada ao sistema internacional de medição, que considera características do casco, apêndices, estabilidade, mastro, velas e outros elementos capazes de interferir na velocidade dos veleiros.
“Quem acompanha uma regata vê o barco competindo durante algumas horas, mas existe muito trabalho para que ele chegue à raia em condições de buscar resultado. Um Soto40 exige cuidado, planejamento e envolvimento da equipe durante toda a temporada. Estamos vivendo agora uma etapa diferente da campanha, fazendo o trabalho necessário para voltar à água e seguir competitivos”, afirma Bayard Umbuzeiro Neto, comandante do Inaê Soto40 Transbrasa.
Projeto reúne quatro embarcações
O Inaê Soto40 ocupa uma posição central na estrutura esportiva desenvolvida pela família Umbuzeiro. Em 2026, a embarcação passou a contar com o apoio do Porto de Santos, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, na campanha de alta performance da equipe.
O projeto Inaê conta atualmente com quatro embarcações. Além do Soto40, que compete na ORC, estão na água o Rainha Inaê, na Bra-RGS; o Inaê 50tão, na RGS-Cruiser; e o Inaê Jr, na HPE25. Os barcos permitem à equipe participar de diferentes classes e formatos da vela.
A estrutura também mantém na modalidade diferentes gerações da família Umbuzeiro, cuja relação com o mar atravessa décadas. Enquanto o Soto40 passa pelo período de reparos, as demais embarcações mantêm o projeto presente no calendário.
“O Soto40 trouxe uma nova dimensão competitiva para o projeto, mas o Inaê é formado por todos esses barcos e, principalmente, pelas pessoas que estão neles. É uma história de família que continua crescendo. Queremos ter o Soto40 de volta à raia, mas também queremos que cada embarcação cumpra seu papel dentro desse projeto”, completa Bayard Neto.
A previsão é que o Inaê Soto40 retorne às competições em outubro para o Brasileiro de Oceano 2026. Organizada pela Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, a competição engloba a 76ª Regata Santos-Rio, com largada em 22 de outubro, e o Circuito Rio, programado entre 30 de outubro e 2 de novembro.
Sobre o Inaê Soto40 Transbrasa
O Inaê Soto40 Transbrasa conta com o apoio do Porto de Santos, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. O Porto de Santos é o maior complexo portuário da América Latina e referência nacional em desenvolvimento, logística e conexão do Brasil com o mundo. Onde tem patrocínio, tem Governo do Brasil.
Por: Redação Mundo Mar
Foto: Gabriela Petarnella







